Fonte: Disciplina de Ortodontia da Faculdade de Odontologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1999.
* 3-3: intermolares
O maior aumento na distância intercaninos inferiores
(3-3) foi observado no paciente número 13, correspondendo a 3,45
mm. Já a maior diminuição na distância intercaninos
inferiores (3-3) foi observada no paciente número 10, correspondendo
a -0,89 mm. A menor variação na distância intercaninos
inferiores (3-3) foi observada no paciente número 8, correspondendo
a um aumento entre as fases inicial (T1) e final (T2) de 0,07 mm (Tabela 2).
Tabela 3
Valores das distâncias intermolares iniciais (T1) e finais (T2) e a respectiva diferença, em mm.
| PACIENTE | Distância 6-6 (T1)* | Distância 6-6 (T2)* | Diferença (T2-T1) |
| 1 | 51,31 | 49,06 | -2,25 |
| 2 | 53,28 | 54,97 | 1,69 |
| 3 | 51,79 | 54,13 | 2,39 |
| 4 | 49,79 | 51,97 | 2,18 |
| 5 | 55,49 | 55,04 | -0,45 |
| 6 | 51,75 | 53,65 | -1,9 |
| 7 | 53,37 | 55,13 | 1,76 |
| 8 | 54,25 | 55,1 | 0,85 |
| 9 | 45,37 | 46,09 | 0,72 |
| 10 | 48,02 | 50,16 | 2,14 |
| 11 | 49,21 | 52,07 | 2,86 |
| 12 | 50,96 | 51,71 | 0,75 |
| 13 | 47,95 | 49,34 | 1,39 |
| 14 | 49,64 | 53,67 | 4,03 |
| 15 | 52,81 | 54,07 | 1,26 |
| 16 | 50,57 | 51,36 | 0,79 |
| 17 | 52,04 | 53,98 | 1,94 |
| 18 | 49,66 | 51,4 | 1,74 |
| 19 | 51,94 | 55,26 | 3,32 |
| 20 | 55,59 | 55,13 | -0,46 |
| 21 | 52,08 | 54,06 | 1,98 |
| 22 | 56,95 | 57,03 | 0,08 |
| 23 | 49,02 | 52,18 | 3,16 |
| 24 | 51,75 | 52,52 | 0,77 |
| 25 | 52,91 | 55,37 | 2,46 |
| 26 | 51,12 | 52,88 | 1,76 |
| 27 | 48,59 | 53,59 | 5 |
| 28 | 51,53 | 51,35 | -0,18 |
| 29 | 46,63 | 46,06 | -0,57 |
| 30 | 51 | 56,94 | 5,94 |
| Média | 51,212 | 52,842 | 1,63 |
| Desvio padrão | 2,556 | 2,673 | 1,69 |
Fonte: Disciplina de Ortodontia da Faculdade de Odontologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1999.
* 6-6: intermolares
Foi constatado maior incremento na distância intermolares
inferiores (6-6) no paciente número 30, correspondendo a 5,94 mm.
A maior diminuição nesta distância foi encontrada no
paciente número 1, correspondendo a -2,25 mm. A menor variação
na distância intermolares inferiores (6-6) foi observada no paciente
número 22, correspondendo a um aumento entre as fases inicial (T1)
e final (T2) de 0,08 mm (Tabela 3).
ANÁLISE ESTATÍSTICA
A partir dos valores das variações das
distâncias intercaninos e intermolares anteriormente apresentados,
foi realizada a estatística descritiva, que expõe o conjunto
de dados, ou seja, média, desvio padrão, valores mínimo
e máximo, mediana, primeiro e terceiro quartis (Tabela 4, gráfico
1 e gráfico 2).
A variação da distância intercaninos
com o tratamento foi, em média, de 0,93 mm, com desvio padrão
de 1,05 mm. A menor variação encontrada nessa dimensão
(valor mínimo) foi de -0,89 mm, ou seja, em algum caso houve, com
o tratamento, uma diminuição mínima de 0,89 mm na
distância intercaninos inferiores. O primeiro quartil, no valor de
0,20 mm, indica que 25% das variações foram até 0,2
mm e 75% foram maiores do que esse valor. O valor da mediana, que corresponde
à variação da metade da amostra, demonstrou que 15
pacientes tiveram variação de até 0,78 mm e os outros
15 pacientes, variações maiores do que 0,78 mm. O terceiro
quartil, interpretação análoga ao primeiro quartil,
foi de 1,59 mm. Isso indica que 75% dos pacientes tiveram variação
de até 1,59 mm, e os 25% restantes tiveram variação
além desse valor. O valor máximo, correspondente à
maior variação encontrada na distância intercaninos
inferiores, foi de 3,45 mm, indicando que em algum caso houve um aumento
máximo, nessa dimensão, de 3,45 mm, decorrente do tratamento
realizado (Tabela 4 e gráfico 1).
Tabela 4
Estatísticas descritivas das variações entre os tempos T2 e T1 para as medidas avaliadas.
| Estatíticas descrititivas |
Medidas avaliadas | Média | DP* | Mínimo | 1º quartil | Mediana | 3º quartil | Máximo | p-valor para o Teste de Wilcoxon | IC* (95%) Para a média |
Distância 3-3 (mm)* | 0,93 | 1,05 | -0,89 | 0,20 | 0,78 | 1,59 | 3,45 | 0,0002 | (0,53;1,32) |
Distância 6-6 (mm)* | 1,63 | 1,69 | -2,25 | 0,75 | 1,75 | 2,34 | 5,94 | <0,0001 | (1,00;2,26) |
*DP: desvio-padrão; IC: Intervalo de Confiança; 3-3: Intercaninos; 6-6: Intermolares.
A variação da distância intermolares
com o tratamento foi, em média, de 1,63 mm, com desvio padrão
de 1,69 mm. A menor variação encontrada nessa dimensão
(valor mínimo) foi de -2,25 mm, ou seja, em algum caso houve, com
o tratamento, uma diminuição mínima de 2,25 mm na
distância intermolares inferiores. O primeiro quartil, no valor de
0,75 mm, indica que 25% das variações foram até 0,75
mm e 75% foram maiores do que esse valor. O valor da mediana, que corresponde
à variação da metade da amostra, demonstrou que 15
pacientes tiveram variação de até 1,75 mm e os outros
15 pacientes, variações maiores do que 1,75 mm. O terceiro
quartil, interpretação análoga ao primeiro quartil,
foi de 2,34 mm. Isso indica que 75% dos pacientes tiveram variação
de até 2,34 mm e os 25% restantes tiveram variação
além desse valor. O valor máximo, correspondente à
maior variação encontrada na distância intermolares
inferiores, foi de 5,94 mm, indicando que em algum caso houve um aumento
máximo, nessa dimensão, de 5,94 mm, decorrente do tratamento
realizado (Tabela 4 e gráfico 2).
Gráfico 1 Diagrama de caixas representando as variações da distância intercaninos inferiores
 +=média
Gráfico 2 Diagrama de caixas representando as variações da distância intermolares inferiores
 +=média +=casos com comportamento fora do padrão em relação aos demais
|
Os gráficos 1 e 2, representados como diagramas
de caixas ou box-plot, permitem a visualização dos resultados
apresentados na tabela 4. Dentro da caixa estão contidas 50% das
observações, e a linha em destaque, no centro da caixa, refere-se
ao valor da mediana. Os pontos fora do valor mínimo e máximo
do box-plot, como pode ser visto no gráfico 2, apresentaram um comportamento
diferente do padrão dos demais pacientes da amostra, no entanto
não foram excluídos da análise por apresentarem valores
aceitáveis.
A significância para a variação das
distâncias intermolares e intercaninos, segundo o teste de Wilcoxon
pareado (Tabela 4), foi menor do que 0,001 (ou p<0,001), indicando que
tal variação foi altamente significativa.
Para estimar qual é o efeito do tratamento, aplicou-se
o intervalo de confiança (IC) de 95% (Tabela 4). Assim, apesar da
média de variação da distância intercaninos
ter sido de 0,93 mm, com 95% de certeza pode ser afirmado que a variação
foi entre 0,53 mm e 1,32 mm. Já a variação da distância
intermolares, cuja média foi de 1,63 mm, com 95% de certeza variou
entre 1,00 mm e 2,26 mm.
A variação entre as distâncias intercaninos
e intermolares apresentou uma fraca correlação (0,221), segundo
o coeficiente de correlação de Spearman. Isso significa que
grandes variações de uma das dimensões não
necessariamente correspondem a grandes variações da outra
dimensão. No entanto, as distâncias intercaninos e intermolares
estão correlacionadas positivamente, ou seja, à medida que
uma delas aumenta, a outra também aumenta, mas com fraca correlação
(Tabela 5).
Tabela 5
Correlação entre as variações entre os tempos T2 e T1
para as distâncias intercaninos e intermolares
Coeficiente de correlação de Spearman
| Medidas avaliadas | Distância intercaninos | Distância intermolares |
Distância intercaninos (mm) | 1,000 | --- |
Distância intermolares (mm) | 0,221 | 1,000 |
DISCUSSÃO
De acordo com Blake e Bibby7, ao final do tratamento
ortodôntico, a manutenção dos dentes em suas posições
adequadas é de fundamental importância para permitir a reorganização
dos tecidos periodontal e gengival, minimizar as alterações
do crescimento e permitir a adaptação neuromuscular à
posição dentária corrigida.
Na maioria das maloclusões da classe I da classificação
de Angle, a função muscular é normal e os dentes estão
em estado de equilíbrio antes do tratamento. A expansão dos
arcos, então, não deve ser usada rotineiramente no tratamento
da maloclusão da Classe I, e a sua contração deve
ser evitada, pois haverá interferência no equilíbrio
muscular entre lábios, bochechas e língua, o qual poderá
resultar em insucesso no período pós-contenção,
conforme foi considerado por Ruela.35
Na presente pesquisa foi utilizado, como referência
para as medições das distâncias interdentárias,
um ponto junto ao colo cervical da face vestibular dos caninos e primeiros
molares permanentes, como sugeriram Harris e Smith.17 Walter46 justificou
ser preferível medir a distância intermolares no sulco central
do que nas cúspides mésio-vestibulares dos primeiros molares
permanentes inferiores, devido à freqüente rotação
de tais elementos. Outras desvantagens da escolha de referenciais que se
localizam em pontas de cúspides, conforme considerado por Moreira,27
envolvem os fatores de ação fisiológica (desgaste
oclusal) ou a possibilidade de apresentarem material restaurador, como
as restaurações metálicas fundidas, capazes de comprometer
a reprodução dos pontos anatômicos originais e presentes
no início do tratamento. Quando o ponto de referência se localiza
junto ao colo cervical do dente, acredita-se que o efeito de uma giroversão
ou de alguma inclinação axial errônea fique minimizado.
Por estas razões, adotamos esse local como referência para
as medições realizadas.
De acordo com Moreira,27 as dimensões transversais
dos arcos dentários têm sido estudadas objetivando estabelecer
parâmetros que avaliem a estabilidade pós-tratamento corretivo,
e que permitam o seu prognóstico. Mais preciso do que o compasso,
o paquímetro digital com graduação de 0,01 mm não
apresenta diferença clinicamente significativa em relação
a instrumentos julgados mais confiáveis, como é o caso do
microscópio para ferramentas. A seleção do instrumento
de medição é importante, porém o ponto crítico
durante as mensurações, com relação ao ponto
referencial, é que deve ser preciso, uma vez que sofre influência
de falhas humanas. Por isso, é fundamental que, no momento das medições,
o examinador esteja atento, concentrado e consciente da necessidade de
intervalos para descanso, para minimizar erros devido a fadiga. Para a
realização das mensurações deste estudo, foi
utilizado um paquímetro digital com escala de 0,01 mm, visto que
Kirjavainen, Kirjavainen e Haavikko22 e Rossouw34 o consideraram um instrumento
de fácil acesso e confiável. Como suas garras originalmente
são amplas, a adaptação de pontas num bloco de acrílico
permitiu sua melhor introdução nos pontos de referência
dos modelos de gipso, conforme utilizado por Freire13
Segundo Barrow e White,2 Bishara et al.6 e Moyers,28
no período do desenvolvimento normal não há aumento
significativo das distâncias intercaninos e intermolares após
aproximadamente os 8 anos de idade. Portanto, se houver diferença
nessas dimensões da fase pré-tratamento (T1) à pós-tratamento
(T2), essa será exclusivamente devida ao tratamento ortodôntico,
que era o objetivo desse estudo. Portanto, conforme pode ser visto nas
tabelas 2, 3 e 4 e nos gráficos 1 e 2, acredita-se que as modificações
havidas nos arcos foram provocadas pelo tratamento ortodôntico realizado.
Nesta pesquisa, procurou-se limitar a idade dos pacientes
a partir do momento em que todos os dentes permanentes à frente
dos segundos molares estivessem irrompidos e, assim, o paciente se encontrasse
dentro do surto de crescimento puberal. Dessa maneira, a idade mínima
encontrada foi de 9 anos e 4 meses, e a máxima de 13 anos e 10 meses
ao início do tratamento (Tabela 1). Procurou-se, com isso, minimizar
os efeitos do crescimento alveolar que pudessem se combinar às alterações
do tratamento, uma vez que, na dentição permanente jovem,
o desenvolvimento é caracterizado por pequenas alterações
na largura do arco, conforme foi considerado por Lombardi.25 Também
é válido salientar que, em indivíduos que apresentam
maior quantidade de crescimento durante o tratamento, a recidiva é
menor.
De acordo com Bishara et al.,6 embora as larguras dos
arcos dentários sofram alterações do nascimento até
a idade médio-adulta, a magnitude, bem como a direção
dessas alterações, não dão base científica
para expandir arcos, na média dos pacientes, para além das
dimensões estabelecidas no momento em que se completa a erupção
dos caninos e molares permanentes. Pacientes e profissionais deveriam ter
conhecimento destas limitações.
Após o tratamento ortodôntico sem extrações
dentárias, a correção do apinhamento inferior acarretou
aumentos estatisticamente significativos nas dimensões transversais
do arco mandibular, sendo estes de 0,93 mm (p=0,0002) na distância
intercaninos (tabelas 2 e 4) e de 1,63 mm (p<0,0001) na distância
intermolares (tabelas 3 e 4). Estes achados foram similares aos encontrados
por Weinberg e Sadowsky,48 os quais, com uma amostra de pacientes e tratamento
similares aos deste estudo, encontraram aumentos de 0,9 mm e 1,2 mm nas
distâncias intercaninos e intermolares, respectivamente. Os autores
relataram que o pequeno aumento em largura, do arco mandibular, pode ser
considerado estável, uma vez que muitos dos pacientes de sua amostra
foram submetidos a expansão da base apical maxilar e que tal procedimento
beneficiaria a estabilidade da expansão inferior. Valores similares
foram encontrados por outros pesquisadores que avaliaram os arcos mandibulares
de casos tratados ortodonticamente sem extrações. Para a
distância intercaninos, foram encontrados acréscimos de 0,83
mm por Ruela,35 de 0,6 mm por Glenn, Sinclair e Alexander,16 e de 1,1 mm
por Chung;11 para a distância intermolares, aumentos de 1,02 mm por
Ruela,35 de 1,8 mm por Walter47 e de 2,04 mm por Gardner e Chaconas.14
Já no estudo sobre estabilidade a longo prazo, com uma amostra aleatória
de casos tratados sem extrações, Glenn, Sinclair e Alexander16
encontraram que, entre os 14 pacientes portadores de maloclusão
da Classe I da classificação de Angle, a distância
intercaninos aumentou 0,5 mm e a distância intermolares aumentou
0,8 mm após o tratamento. Seus achados mostraram menores aumentos
nas larguras do arco inferior, quando comparados aos resultados da presente
pesquisa. Isso pode ser devido à sua amostra dispor de menor apinhamento
pré-tratamento. Por outro lado, os estudos que avaliaram o efeito
do aparelho lip bumper sobre a largura do arco mandibular mostraram maiores
ganhos nessa dimensão. A distância intercaninos mostrou aumentos
de 2,0 mm, como constatado por Osborn, Nanda e Currier,30 a 2,5 mm, relatado
por Cetlin e Ten Hoeve;10 a distância intermolares, de 4,22 mm, observado
por Nevant,29 a 5,5 mm, constatado por Cetlin e Ten Hoeve.10 Provavelmente
essa diferença de achados se deve ao fato de que os objetivos do
tratamento e a mecanoterapia empregada para tal tenha sido mais variada
na presente pesquisa, uma vez que os trabalhos com lip bumper avaliaram
o efeito do uso exclusivo deste aparelho sobre o arco inferior.
Ruela35 considerou como aceitável a variação
para as distâncias intermolares e intercaninos de 0,5 e 1,0 mm, respectivamente.
Portanto, a variação encontrada para estas dimensões
no presente trabalho ultrapassou os limites da aceitabilidade segundo este
autor e, por esse motivo, a expectativa por recidiva após a contenção
deve ser considerada.
O comportamento diferenciado dos pacientes de número
10 e 13, que apresentaram variações de -0,89 mm e 3,45 mm
na distância intercaninos, e dos pacientes 1 e 30, com variações
de -2,25 mm e 5,94 mm na distância intermolares, pode ter sido atribuído
à falta de controle da forma do arco ou ao movimento distal destes
dentes, ocupando uma posição mais vestibular, para permitir
o alinhamento dos incisivos inferiores, estando de acordo com as considerações
de Begole, Fox e Sadowsky3 e de Ruela.35 Foram encontrados limites de variações
similares em pesquisas que utilizaram amostras de casos tratados sem extrações
dentárias. Chung et al.11 encontraram variações na
distância intercaninos inferiores de -2,4 mm a 5,1 mm e a intermolares
de -2,6 mm a 5,0 mm. Ruela35 relatou variações de -0,70 mm
a 3,20 mm e de -1,80 mm a 5,00 mm nas distâncias intercaninos e intermolares
inferiores, respectivamente.
A afirmativa de Walter46 de que os arcos dentários
não podem ser permanentemente alargados é questionável,
uma vez que o autor considerou os arcos maxilar e mandibular concomitantemente.
Não há dúvidas, a partir das inúmeras pesquisas
realizadas sobre o desenvolvimento dos arcos dentários, que o comportamento
do desenvolvimento dos arcos superior e inferior são independentes
e diferentes entre si.
Após uma ampla revisão da literatura e
uma análise estatística do comportamento da distância
intercaninos inferiores, Burke et al.9 encontraram uma variação
de alteração após o tratamento ortodôntico,
que oscilou entre 0,6 mm de constrição até 0,5 mm
de expansão, sem considerar a classificação pré-tratamento
ou se o tratamento realizado foi com ou sem extração dentária.
Uma vez que a alteração média encontrada foi de zero,
esse estudo suporta claramente o conceito de manutenção da
distância intercaninos inferiores original no tratamento ortodôntico.
Como Blake e Bibby7 afirmaram, a dimensão intercaninos inferiores
original deveria ser mantida ao máximo possível, uma vez
que a sua expansão é a mais previsível de todas as
recidivas ortodônticas.
A fraca correlação entre as variações
das distâncias intercaninos e intermolares (0,221) encontrada no
presente estudo (Tabela 5) está de acordo com a citada por Weinberg
e Sadowsky,48 que encontraram 0,20, e com os achados de Ruela,35 que descreveram
uma correlação de 0,23. Portanto, o aumento ou a diminuição
da distância intercaninos leva a alterações, no mesmo
sentido, na distância intermolares, e vice-versa, porém não
na mesma proporção, pois a correlação é
baixa.
A partir dos resultados da literatura pesquisada, nenhuma
conclusão definida pode ser formada, apesar da maioria dos pesquisadores
concordar com que a dimensão intercaninos inferiores seja respeitada
durante o tratamento e então contida por um longo período
para, pelo menos, minimizar a constrição futura da largura
do arco, que levaria a algum grau de apinhamento indesejado. Pode-se, assim,
acreditar que os aumentos médios de 0,93 mm na dimensão intercaninos
e de 1,63 mm na dimensão intermolares observados nesta pesquisa
(tabelas 2, 3 e 4), apesar de terem sido menores do que os encontrados
por Chung,11 De La Cruz,12 Gardner e Chaconas,14 Little, Wallen e Riedel,24
Sadowsky et al.36 e Walter47, a partir da remoção dos aparelhos
de contenção, não serão mantidos ao longo dos
anos, a menos que o paciente se conscientize da importância da contenção
eterna, conforme considerado por De La Cruz,12 Kahl-Nieke, Fischbach e
Schwarze20 e Williams.49
Mesmo aqueles que se opõem à expansão,
e então optam pela extração de pré-molares,
constatarão que, em alguns casos, este procedimento leva a distância
intercaninos inferiores a aumentar. De acordo com Burke et al.,9 Lombardi25
e Toigo, Cevidanes e Vigorito,42 isso ocorrerá porque, quando os
caninos são retraídos ao local da extração,
estes se posicionarão em um local onde o processo alveolar está
numa parte mais larga do arco. Strang41 referiu esta alteração
como "movimento bucal dos caninos", para distinguir da expansão
tradicional e de Burke et al.,9 Gardner e Chaconas,14 Herberger18 e Lobardi,25
os quais têm sustentado a noção de que a distância
intercaninos possa ser aumentada se os caninos forem movimentados distalmente
sobre o alvéolo, no lugar das extrações.
Shapiro37 observou que os casos com maloclusão
de Classe II segunda divisão são mais passíveis de
manter uma expansão da distância intercaninos inferiores.
Bishara, Bayati e Jakobsen5 e Little, Wallen e Riedel,24 porém,
não aceitaram tal afirmativa e mantiveram a opinião de que
as distâncias intercaninos e intermolares recidivarão, se
expandidas, nos casos de Classe II segunda divisão, bem como nas
outras classes da classificação de Angle. No entanto, Uhde,
Sadowsky e Begole44 consideraram que, provavelmente, essa disparidade nos
achados se deva ao fato de que exista um número razoavelmente pequeno
de casos Classe II segunda divisão nos estudos e, por esse motivo,
geralmente são considerados agrupados na mesma categoria de Classe
II os casos de primeira e os de segunda divisão, dificultando a
visualização de diferenças entre os grupos.
O aumento da distância intermolares superiores
e inferiores pelo uso do aparelho extra-oral de tração cervical
somente foi avaliado por Kirjavainen, Kirjavainen e Haavikko22 após
a expansão intencional de 10 mm no seu arco interno. No entanto,
apesar do uso de aparelhagem desse tipo na maioria dos pacientes da presente
pesquisa, tal expansão no arco interno do extra-oral não
foi incorporada, e por esse motivo não se podem fazer comparações
com o estudo de Kirjavainen, Kirjavainen e Haavikko22.
Para Burke et al.,9 a importância clínica
de 1 ou 2 mm de aumento na distância intercaninos inferiores após
o tratamento ortodôntico é, contudo, sujeita a debate. Sadowsky,
Schneider e Begole36 propuseram que até 2,4 mm de irregularidade
entre incisivos inferiores, no período de 5 anos pós-contenção,
estariam dentro dos limites de aceitabilidade. Porém, para Blake
e Bibby,7 esse tempo de observação é relativamente
curto, e a irregularidade dos incisivos provavelmente seria maior se o
período de estudo fosse aumentado. Ruela35 considerou, em seu estudo,
como ausência de alteração os casos onde, do início
ao final do tratamento, a distância intercaninos variou 0,5 mm e
a distância intermolares, 1,0 mm. Encontrou uma expansão média
de 0,83 mm na distância intercaninos inferiores após o tratamento
ortodôntico sem extrações, justificando que esse aumento
pode ter sido devido a uma posição ditada pela inclinação
lingual acentuada dos caninos superiores e, então, esta expansão
corresponderia apenas a uma verticalização no sentido vestíbulo-lingual
dos caninos inferiores. E isso pode ter sido mascarado pela sua avaliação
em pontas de cúspide dos caninos, uma vez que esse efeito seria,
pelo menos, minimizado se fosse avaliado junto ao colo cervical.
Se o avanço dos incisivos inferiores for um dos
objetivos do tratamento, Blake e Bibby7 fazem ver que a contenção
permanente é essencial para a manutenção do resultado.
A fim de evitar surpresas indesejáveis, Little, Wallen e Riedel24
recomendaram o uso de contenção inferior permanente em todos
os casos, após o desenvolvimento do arco mandibular.
Os resultados da presente pesquisa demonstraram que nenhuma
conclusão causa-e-efeito pode ser feita sobre a alteração
da largura do arco e subseqüente apinhamento dos incisivos. Como Little,
Wallen e Riedel24 relataram, parece sensato minimizar a expansão
do tratamento, mas a manutenção das distâncias intercaninos
e intermolares originais certamente não garante a estabilidade.
CONCLUSÃO
Baseado nos resultados obtidos e na metodologia empregada
a partir de modelos de estudo das fases pré e pós-tratamento
ortodôntico de uma amostra constituída por 30 indivíduos
brasileiros portadores de maloclusão da Classe I de Angle com apinhamento
no arco inferior e submetidos a tratamento ortodôntico sem extrações,
pode-se concluir que:
- Houve diferença estatisticamente significativa
(p = 0,0002) entre T1 e T2 quanto à dimensão intercaninos
inferiores, a qual aumentou, em média, 0,93 mm, com limites variando
entre -0,89 mm e 3,45 mm.
- Houve diferença estatisticamente significativa
(p < 0,0001) entre T1 e T2 quanto à dimensão intermolares
inferiores, a qual aumentou, em média, 1,63 mm, com limites variando
entre -2,25 mm e 5,94 mm
- Houve uma fraca correlação (0,221) entre
as variações nos tempos T2 e T1 para as distâncias
intercaninos e intermolares.
ENDEREÇO PARA CORRESPONDÊNCIA:
SILVIA MACCARINI DALL’IGNA
Rua Padre Chagas, 185 sala 303
Porto Alegre – RS – Cep 90580-080
Tel.: (51) 346-8647 / 346-7837
e-mail: silviadalligna@terra.com.br
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