21 setembro 2012

Casos clínicos e outras considerações

Publicado por Rodrigo PassoniRodrigo Passoni

Especialista em Radiologia Odontológica; Residência em TC e RM (clínica médica); MBA em Administração Global com especialização em Marketing; Mestre em Administração; Professor dos cursos de especialização em Implantodontia, Periodontia, Ortodontia, Prótese, Endodontia, DTM (UFSC, UFMG, UNIABO-SC, ABCD-SC, UNIASSELVI-SC, SOEBRAS-SC, UNICSUL-SC) ; Proprietário da Clínica Céfalo-X (1991).

Casos clínicos de ortodontia com demonstração da perda de suporte ósseo severo em movimentações ortodônticas aparentemente normais também levam a questionamentos sobre as melhores técnicas de diagnóstico. A inclinação dental e a espessura das tábuas ósseas vestibular e palatal/lingual, a localização exata de dentes inclusos e/ou supranumerários e mesmo odontomas e sua relação com os elementos dentais vizinhos e as corticais ósseas, a extensão em 3D das patologias ósseas para o correto diagnóstico e plano de tratamento, a utilização das imagens 3D em planejamento de cirurgia ortognáticas, a verificação de perdas ósseas exatas em periodontia que podem definir o diagnóstico de manter o elemento dental ou realizar uma “exodontia profilática” e colocar o implante enquanto ainda há osso em quantidade/qualidade para recebê-lo, a própria utilização na implantodontia, uma das primeiras modalidades a utilizar essas imagens juntamente com a cirurgia bucomaxilofacial, tudo isso, o bom diagnóstico através da TCCB nos traz.

Mas, mesmo que a radiação da TC seja maior que a do rx simples, temos alguns pontos importantes a considerar:

a) O feixe de rx, principalmente do cone beam, é estritamente focado na região de interesse, com fuga muito menor do que os rx simples;
b) O exame é feito de uma só vez, coisa que nas radiografias simples podemos ter vários exames (pano + tele + levantamento periapical) e a repetição de alguns deles;
c) Os limites utilizados na TC ainda estão muito longe dos níveis considerados prejudiciais;
d) Podemos utilizar alguns protetores na realização dos exames, como de tireóide e de globo ocular, reduzindo ainda mais exposição.

No meu modo de ver, anomalias com severos apinhamentos, retratamentos ortodônticos, tratamentos em adultos com perdas ósseas e/ou dentais, dentes inclusos e/ou impactados, entre outros, estariam dentro das indicações da TCCB como primeira opção na ortodontia e ortopedia.

Há casos em que as imagens convencionais deixam a desejar (em alguns casos deixam muito a desejar) em relação à clareza das imagens tomográficas. Um diagnóstico muito mais completo é exigido quando o caso ortodôntico, mesmo em crianças, se mostra de tal complexidade que um exame mais acurado se torna necessário. É obrigação do profissional buscar os melhores diagnósticos para o seu paciente e, com essas informações em mãos juntamente com os dados clínicos, fazer o melhor plano de tratamento.

As técnicas periapicais nos mostram a lâmina dura apenas nas faces proximais radiculares, ou seja, por mesial e distal, não permitindo a visualização dos contornos ósseos por vestibular e palatal/lingual. E em casos de pacientes adultos, é muito comum a reabsorção das paredes ósseas, notadamente a vestibular. E como ver a lâmina dura nesses casos através de radiografias periapicais? Como saber em casos de perdas dentais e movimentações ortodônticas em pacientes adultos se haverá osso suficiente para a recepção do dente no sítio em questão? Não me parece que as radiografias periapicais respondam a questionamentos deste tipo satisfatoriamente, pois não nos informam a forma do osso receptor do dente movimentado ortodonticamente.

A radiografia panorâmica, sabidamente feita em topo, não nos fornecerá o posicionamento correto dos côndilos em relação às cavidades articulares. E mesmo que fornecesse (no caso em oclusão) teríamos somente a visão sagital, faltando-nos a frontal para um completo diagnóstico. Porém, o exame ideal para o diagnóstico das ATMs é a ressonância magnética.

Rodrigo Passoni

One Comment so far...

Administrador do Blog comentou:

21 setembro 2012 at 10:25.

BRAVO!!! BRAVO Rodrigo!!! Tuas considerações são extremamente valiosas. Tens a vivência de muita clínica e isto é fundamental para o entendimento das coisas. A vivência dos outros, que nos chegam através de publicações e as pesquisas são extraordinariamente válidas, mas é a experiência pessoal que traz a nossa verdade.

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Sobre o autor:

Rodrigo Passoni

Rodrigo Passoni

Especialista em Radiologia Odontológica; Residência em TC e RM (clínica médica); MBA em Administração Global com especialização em Marketing; Mestre em Administração; Professor dos cursos de especialização em Implantodontia, Periodontia, Ortodontia, Prótese, Endodontia, DTM (UFSC, UFMG, UNIABO-SC, ABCD-SC, UNIASSELVI-SC, SOEBRAS-SC, UNICSUL-SC) ; Proprietário da Clínica Céfalo-X (1991).
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