
CONSIDERAÇÕES INICIAIS
O profissional não deve errar em seu diagnóstico
e plano de tratamento. E é de esperar-se que seu prognóstico
seja correto. A expectativa do tratamento, no entanto, deve ser tomada
de maneira diferente, tanto pelo especialista, quanto pelo paciente. A
expectativa do tratamento é aquele ideal, ao qual o profissional
almeja chegar. Não é um ideal utópico, irrealizável,
um sonho. Ao contrário, deve ser um objetivo planejado com possibilidade
de concretização. Porém, como todo ideal, toda perfeição,
é uma meta, que a nós, homens, só é dado aproximarmo-nos,
chegar até bem perto, quase até atingí-la. Além
disso, a expectativa de tratamento é a previsão otimista
de onde se deseja chegar. Para atingir-se o resultado planejado é
preciso confluírem diversos fatores de maneira favoráveis,
sendo que, alguns deles, independem da intervenção do ortodontista.
Assim a cooperação do paciente e o crescimento, que escapam
ao controle do experto. O posicionamento dos lábios, em função
das modificações dos incisivos, também não
encontra nenhum processo absoluto de referência. Ele é baseado,
mais que tudo, na arte e na experiência pessoal do ortodontista.
Não existem regras fixas e determinadas que sirvam para todos os
casos. São individuais as variáveis, em função
da textura dos tecidos moles. O profissional reúne todos os recursos
disponíveis de planejamento e coloca no computador aquilo que, antes,
ficava, apenas, em sua imaginação. Uma das grandes vantagens
é que, a visualização do que se planeja, pode evidenciar
novos descobrimentos, possibilitando reavaliação e modificações
que sejam necessárias. Na cirurgia ortognata, via de regra, não
há a incógnita do crescimento. Porém, as grandes alterações
nas estruturas esqueléticas geram maiores problemas com os tecidos
moles de capeamento, que se portam de diferentes maneiras, dependentes
da tonicidade e volume muscular.
O planejamento da expectativa do tratamento é
mais arte do que ciência. E, assim sendo, só pode ser elaborado
pelo próprio ortodontista que irá realizar o tratamento.
No caso da cirurgia ortognata, o planejamento terá de ser um trabalho
conjunto do cirurgião e do ortodontista. Por tudo isso, a expectativa
do tratamento não deve ser tomada como um compromisso absoluto do
profissional. É, antes, uma proposta, um rumo, que poderá
ser mostrado ao paciente, ressaltando-se essas condições.
Pode, no entanto, se assim entender o o ortodontista, ficar apenas como
um estudo privativo do qual o paciente não tenha conhecimento.
ELABORAÇÃO DO VCETOO NO COREL DRAW
Encontram-se, no mercado, programas de cefalometria computadorizada
que propiciam a simulação do tratamento ou da expectativa
do tratamento. Ainda que estes programas possam ser de relevante utilidade
como sugestões preliminares, cada caso deve ser projetado em acordo
com as individualidades do paciente, das técnicas e da habilidade
de cada profissional, fugindo de padrões pré-estabelecidos,
baseados, algumas vezes, em proposições não bem esclarecidas
e alheias ao conhecimento de quem as aplica. Por outro lado, a cada dia
fortalece-se a tendência atual, em informática, de utilização
dos sistemas especializados, apenas até onde eles são imprescindíveis.
Depois, os arquivos são transferidos para programas de utilidade
genérica, onde são manipulados com a exuberância e
riqueza de recursos que esses programas oferecem. Com esse espírito,
utilizamos o sistema de Cefalometria Computadorizada ORTOVIEW, onde se
compõe o cefalograma pela tradicional digitalização
de pontos cefalométricos. Os arquivos produzidos têm o formato
"PLT", o qual, pelo IMPORT, entra com absoluta fidelidade para o Corel
Draw (*). O Corel é um programa multiutilitário, com grande
riqueza de opções para a editoração de slides
e vídeo. Presta-se, muito bem, para a composição da
VCETOO, como se tivesse sido feito especialmente para isso. Realmente,
é quase incrível como o Corel possibilita todos os movimentos
de composição que se pode imaginar. No caso das rotações,
é possível levar o centro de rotação para o
ponto que se deseja. Há a alternativa de anotar os valores, angulares
ou lineares, dos movimentos realizados, ou medi-los na sobreposição
do cefalograma original e da expectativa do tratamento, impressos com exatidão.
Os traçados podem ser feitos em diferentes cores, espessura, linha
cheia ou pontilhada. É possível, inclusive, fazer-se a sobreposição
do traçado cefalométrico na fotografia da face do paciente
(**). Cabe ao profissional elaborar, passo a passo, a VCTEOO. Partindo
do cefalograma original, irá modificando as estruturas anatômicas,
de acordo com aquilo que planeja e imagina irá acontecer. A VCETOO,
elaborada em utilitários genéricos, como no caso o Corel
Draw, vem abrir um novo caminho na Cefalometria Radiográfica Computadorizada,
permitindo que os serviços de documentação ortodôntica
ofereçam aos profissionais, em disquetes, as imagens geradas pelo
computador. E os ortodontistas podem, então, trabalhar o cefalograma
em acordo com o seu plano, sua filosofia de tratamento e peculiaridades
próprias. Basta que tenham computador com plataforma exigida para
o Windows . Com isso, dispensam-se a mesa digitalizadora, o sistema de
Cefalometria Computadorizada e o trabalho de digitar os pontos craniométricos.
Representa tudo isso um importante avanço, pois diminui o investimento
do ortodontista em tempo e equipamentos, dando-lhe espaço para expressar
sua individualidade.
(*) Outros programas de Cefalometria Computadorizada,
que trabalhem dentro do Windows, não tendo um arquivo que seja lido
pelo Corel diretamente, podem transferir a imagem do cefalograma para o
Corel Draw, através do "Clip Board". Ainda dentro do programa de
Cefalometria, com a imagem já digitalizada, ela é levada
para a memória RAM ( EDIT - COPY ou ^ + C ). Sem sair do Windows,
fecha-se o programa de Cefalometria e entra-se no Corel Draw, onde se busca
na RAM a imagem que foi digitalizada ( EDIT - PASTE ou ^ + V ). Geralmente
as linhas retas apresentam distorções e devem ser excluídas
com o delete, uma a uma. Para tanto, previamente, a imagem deve ser desagrupada.
O cefalograma não tem distorções, apenas, ao imprimir,
o tamanho deve ser ajustado.
(**) A sobreposição de cefalogramas em
fotografias da face não é um método confiável.
Ocorre que a telerradiografia tem um tipo de distorção e
a fotografia outro. Além de que são tomadas em momentos diferentes.
SUGESTÕES PARA A ELABORAÇÃO DA EXPECTATIVA DE TRATAMENTO
O profissional não deve errar em seu diagnóstico
e plano de tratamento. E é de esperar-se que seu prognóstico
seja correto. A expectativa do tratamento, no entanto, deve ser tomada
de maneira diferente, tanto pelo especialista, quanto pelo paciente. A
visualização gráfica da expectativa do tratamento,
realizada com o auxílio do computador, é aquela solução
ideal, à qual o profissional almeja chegar. Não é
um ideal utópico, irrealizável, um sonho. Ao contrário,
deve ser um objetivo planejado com possibilidade de concretização.
Porém, como todo ideal, toda perfeição, é uma
meta a que, a nós, homens, só é dado aproximarmo-nos,
chegar até bem perto, quase até atingí-la. Além
disso, a expectativa do tratamento é a previsão otimista
de onde se deseja chegar. Para atingir-se o resultado planejado é
preciso confluírem diversos fatores de maneira favorável,
sendo que, alguns deles, independem da intervenção do ortodontista,
como a cooperação do paciente e o crescimento, que escapam
ao controle do experto. O posicionamento dos lábios, em função
das modificações dos incisivos, também não
encontra nenhum processo absoluto de referência. Ele é baseado,
mais que tudo, na suposição empírica do ortodontista.
Não existem regras fixas e determinadas que sirvam para todos os
casos, pois as variáveis, em função da tonicidade
muscular, são individuais. A visualização da expectativa
do tratamento não pode ser tomada como um compromisso absoluto do
profissional. É, antes, uma proposta, um rumo, que será tomado
nessas condições.
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