TRANSCRITO DA REVISTA DE ORTODONTIA, DA SOCIEDADE PAULISTA DE ORTODONTIA; 5 (1-2), 39-54; Jan/Aagosto, 1972

SAÚDE PERIODONTAL, OCLUSÃO, DESGASTE E OUTRAS CARACTERÍSTICAS DENTÁRIAS NOS ÍNDIOS YANOMAMIS - (ABORÍGENES BRASILEIROS)
 
CAMPUS AVANÇADO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA (RS) PROJETO RONDON
 
CLÉBER BIDEGAlN PEREIRA, C.D.
ASTOR RIESINGER, C. D.
ASTOR SERGIO RIESINGER, M.D.
JÚLIO BARRANCOS MOONEYJ C.D.
 
INTRODUÇÃO

Examinamos os dentes dos índios YANOMAMIS, com a intenção de qualificar a dentadura de homens contemporâneos, que têm hábitos alimentares e higiênicos semelhantes aos do homem primitivo.
Os Yanomamis são, na base de evidências léxicas e estruturais, um grupo étnico puro, formando uma família, provavelmente, originada do grupo Karib ou Proto-Karib (l). Pertencem à sub-raça Atlântico Sul, à raça Ameríndia e ao grupo racial Amarelo (2).
Pela categoria de Contatos Externos (3), os Yanomamis são classificados como isolados. São monolingües, sendo que sua língua não tem cognatos com nenhuma outra língua. Vivem em seu ambiente autêntico, com hábitos e costumes próprios de sua cultura. Para atingirmos seus agrupamentos, penetramos profundamente na selva amazônica. Partindo de Boa Vista, capital do Território Federal de Roraima, fizemos mais de 1.200 km em avião monomotor, sobre a selva virgem, e depois muitas horas em canoas a remo e marcha a pé. Permanecendo 21 dias na selva, vivendo da caça e pesca, pois não havia possibilidade de transportar mantimentos.

Características raciais dos Yanomamis

  É evidente a identificação morfológica com o grupo racial amarelo, especialmente com as raças mongólicas das quais têm as características típicas, ainda que atenuadas.
O ângulo goníaco se mantem quase em uma constante. Os maxilares apresentam boa relação basal. A biprotusão dentária é freqüente.
Os Yanomamis encontram-se no mesmo estágio de evolução morfológica dos homens de nossa civilização.

Generalidades da cultura Yanomami

 Da selva os Yanomamis retiram boa parte de sua alimentação: frutas, raizes, produtos da caça e pesca. No entanto, na sua economia, a agricultura é um importante complemento da colheita silvestre. Plantam macaxeira, mandioca, bananas, tabaco, algodão, cana-de-açúcar (aculturamento), ervas medicinais e alucinógenas.
Têm diversos instrumentos de corte: machado de pedra, mandíbula de animais, dentes de "queixada", lâminas de madeira dura, etc. Mas, para a alimentação e repartição dos alimentos usam somente as mãos e dentes. É com os dentes que descascam as frutas, a cana e as raízes.
A atividade artesanal é intensa, ainda que, voltada exclusivamente para objetos de utilidade real: instrumentos de caça e pesca (arco e flecha), cerâmica, etc. Tecem fibras e trabalham o algodão, cortando os fios com os dentes.

 Hábitos orais

 Os Yanomamis não têm hábitos higiênicos com a boca, nem mesmo um bochecho com água. Também não têm maus hábitos, como chupar o dedo, a língua, a chupeta. Isto é devido à amamentarão natural até aos 2 anos de idade.

 Alimentação (4)

l - Principal cotidiana: Produtos da colheita silvestre e da plantação.

Todo o ano: Bananas (têm 9 qualidades) e macaxeira.
 Periódica: Pupunha, açai, cacau, outras frutas do mato, mel e ovos de tartaruga.

 2 - Principal não cotidiana: Produtos da caça.

 Mamíferos: Macacos, coatá, cairara, cuxu, paca coatá, quati, cutia, anta, veado, capivara, queixada...
Aves: Mutum, cujubin, jacu, jacamin, inambu, arara, papagaio, tucano...
Répteis: Jacaré e algumas espécies de cobra.
Quelônios: Jabuti, tracajá e tartaruga.
Invertebrados: Larvas de certas espécies de vespas e abelhas. Larvas da palmeira.

 3 - Secundária complementar: Produtos da pesca.

 Toda a qualidade de peixes.

 Preparação dos alimentos

Os Yanomamis empregam três métodos para preparar os alimentos:

 1 - Moqueado: Usando uma grelha de pauzinhos verdes, colocada a uns 80 cm do fogo, é moqueada a caça grande (aos pedaços). Corresponde ao nosso defumado. Pode-se conservar essa carne quase indefinidamente.
 A carne assim preparada é extremamente dura e exige enorme trabalho masticatório.

 2 - Cozido: A caça pequena, as aves, os peixes são cozidos em panelas de barro. Algumas variedades de bananas e outras frutas são cozidas, formando mingaus.
 A macaxeira, ralada em uma pedra, é cozida em pratos de barro, formando uma farinha de grãos grossos e duros, constituindo um alimento fácil de ser transportado e armazenado, e também um poderoso abrasivo para os dentes. A macaxeira ralada pode ainda ser cozida em forma de bolo, "beiju".

 3 - Assado: Principalmente em viagem, os índios comem carne assada diretamente sobre o fogo. Rapidamente a carne fica torrada pelo lado de fora, mas o interior fica ótimo (especialmente quando se está com fome). Sucessivas vezes a carne é jogada e retirada do fogo, o que impede que seja totalmente calcinada. Nessa operação, mistura-se com cinzas e terra, sendo mais um fator de desgaste dos dentes.

 

MATERIAL
 
 
Homens
Mulheres
Total
Adolescentes
31 
25
56
Adultos
19
19
38
Maduros
17
16
33
Senis
12
11
23
Total
7 9
7 1
150
CRITÉRIO DE IDADE
 
Adolescentes 13 a 18 anos
Adultos
19 a 29 anos
Maduros
30 a 49 anos
Senis
50 anos ou mais
 
MÉTODO

 1 - Levantamento do índice de má oclusão:
        a) índice do "National Institute of Dental Research" (6)
        b) Indice Canadense - ltens 16 até 24 (7)

2 - Medida do ângulo gonaíaco.

3 - Apreciação da relação dos maxilares.

4 - Abrasão cervical:
     Índice de Pedersen (8)

5 - Desgaste oclusal:
    a) Índice de Pedersen (8)
    b) Índice de Broca (9)
    c) Superfícies oclusais (l0)
    Plano de frente
    Esfera - anterior e posterior
    d) Simetria atricional.
    e) Permanência de cúspides.

6- Desgaste proximal.

7- Saúde Periodontal:
    Periodontal Disease Index (PDI) (11)

8 - Observação de cáries e dentes perdidos.

 Ângulo goníaco:

Foi medido o ângulo goníaco com um transferidor, tendo sido os bordos da mandíbula, ramo e corpo, determinados externamente, com possível margem de erro.

Relação dos maxilares:

Observou-se o perfil, procurando saber a relação maxilar no sentido ântero-posterior. Marcamos I, quando a relação esquelética entre o maxilar superior e inferior parecia normal; II, quando parecia haver retrusão mandibular e III, quando parecia haver protusão mandibular. Esta determinação foi feita sem auxílio de telerradiografía, sendo portanto passível de erro.

Abrasão cervical:

Observou-se a abrasão cervical, na região do colo cervical, nas faces vestibulares dos dentes. Índice de Pedersen (8).

Desgaste oclusal:

O desgaste oclusal foi observado, usando o critério de generalização. Quando a maioria dos dentes apresentava determinado aspecto, este aspecto era o registrado.

Plano de frente:

Foi observada a forma do desgaste dos incisivos vistos de frente. Marcou-se como reto, quando o desgaste apresentava uma reta. Negativo, quando o desgaste apresentava uma curva com o centro inferior. Positivo, quando o desgaste apresentava curva com o centro superior (Figura 1).

SUPERIOR NEGATIVO
INFERIOR POSITIVO
Fig. 1
Esfera oclusal:

O desgaste oclusal não se efetua em um plano e sim formando uma curva, "esfera oclusal". Observou-se, no arco inferior, o pico proeminente que se apresenta pelo desgaste em esfera. Quando o pico estava no lado lingual da face oclusal, registramos esfera negativa. Quando o pico se apresentava em vestibular, marcamos esfera positiva. (Figura 2).

ESFÉRA POSITIVA ------------ESFÉRA NEGATIVA
Fig. 2
Observou-se a esfera oclusal, separadamente, no setor anterior e posterior do arco dentário inferior. O limite entre os dois setores foi as faces distais dos primeiros molares. (Figura 3).
Fig. 3
Simetria atricional
Observou-se o lado esquerdo e direito do arco dentário, registrando se havia ou não simetria de desgaste oclusal.
Permanência de cúspides
O critério adotado foi o de generalização, quando a maioria das cúspides oclusais estavam eliminadas pelo desgaste, marcamos não.
Desgaste proximal
Nos casos em que tomamos moldes, medimos o desgaste das faces proximais entre o primeiro e segundo molar inferior. Marcamos:
0 - Quando o desgaste era imperceptível. l - Quando o desgaste somado das duas faces (distal do 1°. molar, mesial do 2°. molar) era de 0,5 a 1,5 mm. 2 - Quando maior do que 1,5 mm.
A medição foi feita no lado que apresentava maior desgaste.
Cáries
Não houve um exame meticuloso. Marcou-se apenas as cáries que eram evidentes.
Perda de dentes
Considerou-se dente perdido, aquele que havia sido extraído ou eliminado ou que só restavam as raizes.

NOTA - Não detalhamos os critérios e índices que são de uso internacional, pois eles se encontram na bibliografia.

DOCUMENTAÇÃO

150 Fichas individuais

507 Fotografias: Perfil 125 - Frente 81 - Intra-orais 301

28 Modelos que caracterizam os casos típicos.

NOTA - Não se tomou radiografias por total impossibilidade de transportar equipamento pesado.

PREVALÊNCIA DE MÁ OCLUSÃO
RESULTADOS
ÍNDICE DO N.I.D.R.
I
II
III
IV
Apinhamento
48%
Distoclusão
21,7%
Sobre-mordida
19%
Ressalte
36%
 
PREVALÊNCIA TOTAL 71%

NOTA - Há superposição de anomalias

 
 

ÍNDICE CANADENSE
Classe I
(Angle)
77,7%
Classe II
(Angle)
22,3%
Classe III
(Angle)
0
Apinhamento
52,7%
DentesInclinados
10%
Mordida cruzada
23,6%
Ressalte
20,9
Sobre-mordida
17,6%
Mordida aberta
0
Diastemas
7,4%
Incisivos em topo
12,8%
Desvio Mandibular
2,7%
Dentes Inclusos
1,3%
Dentes Atrofiados
2%
Extra-numerários
2%
Defeitos Congênitos
(não dentários)
0
       
 NOTA - Há superposição de anomalias.

NOTA - Os índices do INDR e Canadense obedecem a critérios diferentes. O resultado total idêntico que encontramos, é coincidência.

DISCUSSÃO

A prevalência da má oclusão nos Yanomamis é bem próxima da encontrada nos homens de nossa civilização. (l2) (l3) (l4) (IS).

Acreditamos que se examinássemos um grupo maior, teríamos também Classe III (Angle). Defeitos congênitos, não dentários, estão ausentes porque as mães, imediatamente após o parto, eliminam as crianças que nascem anormais.

De qualquer forma, o quadro geral é bastante semelhante, ainda que os problemas se apresentem com menor severidade. Por exemplo: não encontramos nenhum ressalte com interposição de lábio.

BEGG (16) encontrou uma prevalência de má oclusão (14%), devido, no nosso entender, às características morfológicas primitivas do grupo racial primitivo a que pertencem os aborígenes australianos.

Nos fósseis de ancestrais do homem, os hominídios e pré-hominídios a prevalência de má oclusão é mínima.

Acreditando-se que a menor atividade mastigatória tenha influído na evolução da dentadura do homem de nossa civilização, seria de esperar, nos Yanomamis, uma prevalência de má oclusão bastante inferior, já que este povo, como ameríndio, está isolado, formando um demos, há cerca de 20 mil anos, e, ao contrário dos povos de nossa civilização, não modificou sensivelmente seus hábitos alimentares.

Tudo isso nos faz pensar que a má oclusão é um determinismo genético, que acompanha a evolução morfológica do homem, e, independe da atividade mastigatória.

Ângulo Goníaco e relação dos maxilares
Resultados
Ângulo Goníaco
78 % dos casos estão entre 123 e 130 graos

 

RELAÇÃO DOS MAXILARES

95% apresentou, aparentemente, boa relação entre os maxilares (l). Mesmo os casos de distoclusão, pareciam ser, na maioria, unicamente dentários. Pelo menos, não observamos micrognatias ou macrognatias acentuadas.

DISCUSSÃO

Entendemos que o bom relacionamento dos maxiliares e a pequena variação do ângulo goníaco, são devidos a que os Yanomamis pertencem a um grupo étnico definido, sem miscigenação. Esse é o motivo de não termos encontrado más oclusões com aspectos severos, nem mordida aberta.

Abrasão Cervical

Não encontramos abrasão cervical em nenhum dente.

DISCUSSÃO

A ausência total de abrasão cervical nos Yanomamis, nos leva a acreditar que esse processo, (tão encontrado nos homens de nossa civilização), não tenha ocorrido, pela não escovagem dos dentes.

Desgaste Oclusal
Resultados
Indíces de Broca e Pedersen
DISCUSSÃO

O desgaste oclusal é resultante da mastigação vigorosa, em que os alimentos são muito duros ou contenham partículas abrasivas. Com o aumento da idade, o desgaste apresentou-se mais acentuado. Comparado com os resultados encontrados por Bairon (l7) e Barrett (5) os Yanomamis tem desgaste oclusal pouco menor.

No nosso entender, esse desgaste fisiológico é benéfico à saúde dental. Elimina as cicatrículas e fissuas, pontos de maior incidência de cárie. Diminui a altura da coroa dentária, tornando menor o "momento de força" e permitindo que a mastigação proporcione melhor auto-limpeza e massagem nas gengivas. Suprime os traumas oclusais.

Plano de Frente
Resultados

Quando não havia ressalte acentuado, os incisivos e caninos apresentaram desgaste na mesma proporção dos dentes posteriores:
 

Reto
1/3
Superior
- 2/3
Inferior
+ 2/3
 DISCUSSÃO

O plano de frente, negativo no superior e positivo no inferior é ocasionado pela atividade artesanal. Esse desgaste é proporcional à idade, sendo que nos velhos chegava a apresentar uma mordida anterior.

Esfera Oclusal
 Resultados

 A esfera oclusal caracterizou-se, em quase 100% dos casos, como negativa na região anterior e positiva na região posterior.

Na senilidade, havia uma tendência ao completo nivelamento.

Simetria Atricional
Resultados

Houve assimetria atricional em todos os casos com mordida cruzada. Na senilidade, com as interferências oclusais eliminadas pelo desgaste, apresentava-se uma forte tendência à simetria.

DISCUSSÃO

As interferências oclusais determinam assimetria atricional.

Permanência de Cúspides
Resultados

Todos os adultos apresentaram as cúspides completamente desgastadas, havia uma forte tendência das cúspides serem eliminadas pelo desgaste, formando a esfera oclusal. Sendo que nos senis havia o aplanamento total.

DISCUSSÃO

A eliminação das cúspides, pelo desgaste fisiológico, não diminui em nada a eficiência mastigatória. O bordo abrasionado do esmalte, torna-se afiado como uma navalha. Parece mesmo, que a finalidade das cúspides dentárias é unicamente guiar os dentes para uma oclusão correta.

Desgaste Proximal
Resultados
 
Adolescentes 
-0
Adultos 
-0
Maduros 
-1
Senis 
-2
O desgaste proximal que encontramos nos Yanomamis não foi tão acentuado quanto BEGG observou nos aborígenes australianos.

O desgaste se apresentou, com maior intensidade, entre o 1°. e 2°. molar e 2°. e 3°. molar. Nos dentes anteriores o desgaste que encontramos foi inexpressivo.

DISCUSSÃO

No nosso entender, o espaço gerado pelo desgaste proximal é aproveitado pelos terceiros molares, não pelos caninos e incisivos. No momento em que os dentes anteriores necessitam de espaço, o desgaste proximal ainda não é expressivo. Assim sendo, o apinhamento não seria amenizado, pelo menos de forma apreciável, pelo desgaste proximal fisiológico.

 

Cáries e Dentes Perdidos
Resultados
NOTA - 60% dos dentes perdidos foi por injúria ou atividade artesanal. Somente 40% foram perdidos por cáries.
 
DISCUSSÃO

Ainda que não tenhamos feito um exame detido, evidencia-se que a prevalência de cárie é sensivelmente menor que nos homens de nossa civilização. Não foi examinada a água, nem se estudou a mineralização de peças dentárias. Independente destes fatores, acreditamos que o desgaste oclusal fisiológico, (eliminando as cícatrículas e fissuras), a mastigação intensa e vigorosa, (proporcionando auto-limpeza e impedindo a formação de placa), influenciaram apreciavelmente na menor prevalência de cárie.

Saúde Periodontal
Resultados
Índice de Doença Periodontal (PDI)
DISCUSSÃO

Importante estudo epidemiológico (18) conclui:

l - Uma prevalência de quase 100% de doença periodontal em países em desenvolvimento.

2 - Uma associação forte e predominante entre quantidade de placa e/ou cálculo e severidade de doença periodontal.

3 -A não existência de uma relação consistente entre "status" periodontal e os fatores: sexo, raça, grupos étnicos e "status" nutricional, quando da comparação entre pessoas com "status" de higiene oral e idades semelhantes.

Os Yanomamis parecem não fugir a estes preceitos, desde que se compare seu "status" periodontal com o de pessoas de boa higiene oral. Ainda que os Yanomamis não tenham nenhum hábito higiênico com a boca, a sua mastigação vigorosa proporciona auto-limpeza dos dentes.

Deveria ser feito um estudo, com maior casuística, para apreciar a influência do desgaste oclusal fisiológico na doença periodontal.

A eliminação dos traumas oclusais e a diminuição da altura das coroas dentárias, (que permite melhor estimulo das gengivas pela mastigação, menos formação de placa e menor "momento de força"), podem ter contribuído para o melhor "status" periodontal que encontramos nos Yanomamis.

CONCLUSÕES

1 - A influência da mastigação, na evolução da dentadura humana, parece não ser preponderante.

2 - A única causa que encontramos, para explicar a ausência de abrasão cervical nos Yanomamis, foi a não escovagem dos dentes.

3 - O desgaste oclusal fisiológico, progride com a idade, diminuindo sensivelmente a altura das coroas dentárias, o que favorece a auto-limpeza e estímulos mastigatórios nas gengivas.

4 - O desgaste oclusal fisiológico elimina as cúspides dentárias, mas isso não diminui a eficiência mastigatória.

5 - As interferências oclusais geram assimetria atricional.

6 - O desgaste proximal fisiológico pouco influi no apinhamento anterior.

7 - O desgaste oclusal fisiológico e mastigação vigorosa são benéficos

para a saúde periodontal.

8 - Em todos os aspectos dentários observados não encontramos diferenciações significativas entre homens e mulheres.
 

Depois de muitas horas de caminhada na selva, Dr. Cléber e o Dr Astor examinam índios Yanomamis, do grupo Recomathéri, que estão completamente isolados.
O índio, que é examinado pelo Dr. Astor, apresenta aspectos morfológicos do homem primitivo: supercílios avantajados, testa fugidiça, platirrino. Não é, no entanto, o Yanomami típico, apresenta essas características por atavismo. As crianças que, estão ao redor, representam o Yanomami típico, que está no mesmo estágio de evolução morfológica que nós.
 
Dentes de um jovem Yanomami adolescente. Note-se que o segundo molar já erupcionou, mas o terceiro ainda não.
Dentes de um Yanomami senil, com expressivo desgaste oclusal. 
SUMÁRIO

Examinou-se 150 aborígenes brasileiros da Família Yanomami, que vivem isolados, com hábitos alimentares e higiênicos semelhantes aos do homem primitivo.

Foto 3 - O aborígene que é examinado pelo Dr. Astor, apresenta aspectos morfológicos do homem primitivo: supercílios avantajados, testa fugidiça, platirrino. Não é no entanto, o Yanomami típico, apresenta essas características por atavismo. As crianças que estão ao redor representam o Yanomami típico, que está no mesmo estágio de evolução morfológica que nós.

Comparado com pessoas de nossa civilização, encontrou-se uma prevalência de má oclusão ligeiramente menor, desgaste oclusal acentuado, menor doença periodontal, menos cáries, ausência total de abrasão cervical.

NOTA -Os resultados deste trabalho serão posteriormente integrados às pesquisas realizadas em outros ameríndios (19) em que foram usados os mesmos critérios.

NOTA - Maiores detalhes em monografia, dos mesmos autores, com o mesmo titulo, publicada pela Universidade Federal de Santa Maria (RGS-Brasil). 


BIBLIOGRAFIA

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MUSSOLINI, G. - "Evolução da Raça Humana".Editora Nascional 1969.

 

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